Ele é charmoso, másculo, quente. Um daqueles que fazem qualquer jovenzinha despretensiosa babar por um olhar e desmoronar por um ronrono. O calor emana de seu corpo, afeta todas ao redor; vive em chamas!
Ela? Bom, pouco tem-se a dizer sobre a coitada. De pele alva e corpo esguio, decerto que poderia conquistar muitos corações. No entanto, só almeja o dele. Derrete-se toda em sua presença, uma coisa de louco. Deixa de ser dura como aço: transforma-se na mais macia das sedas, no mais maleável dos metais. Faz-se menor e menor, somente para que seja maior o seu tempo com o garanhão. Ele a aquece de um modo que nenhum outro jamais conseguira, e a história toda vez se repetia: a pobrezinha clamava por atenção, jogava o corpo e a alma aos seus pés para que não partisse. Por fim, quando acabava-se toda, ele ia embora.
Uma vez longe do moço, endurecia outra vez. Nunca com a mesma postura, porém. Deixava de ser a moça esbelta de outrora para assumir uma forma rebaixada, espalhada. Atirava-se sem pudor contra qualquer Pires que a amparasse. Cansado daquele drama sem fim, Pavio resolveu por fim na labuta chorosa que vinham empreitando. Resolveu, pois, cortar a comunicação entre ambos. Não mais serviu de mensageiro para os recados do galanteador, tampouco transmitiu os lamentos apaixonados da donzela. Naquela noite, Fogo não apareceu e Cera não chorou.
Não sei porque ainda me impressiono com a tua criatividade. Muito bom. No fundo, até acheio meio cômico. Fantástico, adorei.
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