sábado, 12 de junho de 2010

De Pelé a Josué.

Em meados da década de 40, tempos em que seu Quinca ainda era o pequeno Quim, foi orgulhosamente anunciada uma Copa do Mundo no Brasil. Prevista para ocorrer em 1950, os preparativos começaram cedo – e Quim maravilhava-se com a magnitude dos eventos que presenciava. Daí para frente, estava moldado um clássico fã de futebol. Peladeiro de fim de semana, palpiteiro de boteco e patriota ufano, pomposamente vestido de verde e amarelo a cada quatro anos.
Logo no início dos anos 60, largou o apelido de juventude. Não que tivesse deixado de se enquadrar na qualidade de jovem, mas, para a sociedade daquele período, um rapaz de vinte e poucos já deveria portar-se como homem de responsabilidades. Ora, pois, Quim ficou para trás. Erguia-se Joaquim, indivíduo de respeito que não tardou a se casar e procriar. A partir daqui, fica a nosso cargo seguir sua linhagem.

Copa de 1966.

Joaquim ao menino Ernesto, filho nascido há não mais que um ano:
- Ô, filhão, você tinha que ter visto a seleção jogar. Pelé, Garrincha... e nem nos classificamos para as oitavas! Uma lástima, reconheço; mas como era bonito!


Copa de 1978

Ernesto a um amigo, enquanto jogavam futebol pelas ruas da periferia do Rio:
- Que barra, bicho. Esse ano o Brasil tava com uma equipe supimpa e mesmo assim não levamos! Mas tá jóia, ver o Rivellino jogar deu gosto!


Copa de 1994.

Novamente, Ernesto. Dessa vez a seu recém-nascido filho, Thiago:
- Aê, agora foi, rapaz! Vem com com o papai, vem! Foi no sufoco, mas tá aí a taça! Dunga, Raí, Bebeto... timão lindo!


Copa de 2010.

Thiago, à barriga da namorada, grávida aos dezesseis anos do pequeno Glaydsson:
- Porra, filhão, vamo que vamo! É hexa esse ano, hein, rapá!


E a equipe, Thiago? Podemos até ser hexacampeões. A dúvida é: alguém vai ter coragem de dizer aos filhos que foi bonito ver a seleção de Grafite, Kleberson e Josué jogar?

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