quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sob estrelas ibéricas.

Lanço aos céus indagações embriagadas,
Ardentes e indignadas, inflamadas
Por um júbilo sem razão.

Ergo-me do chão.

São questionamentos de Paraíso e Inferno,
Efêmero e eterno, um enlace terno
De incompreensões mortais.

Afasto-me dos demais.

Sem resposta do Céu, caio no silêncio de antes.
Ele, qual Cervantes, em poucos instantes
Atira-me contra a loucura.

Tira-me a bravura.

Desfaleço em inglório lamento lamurioso,
Um Queixote degostoso, mentiroso
Sem Rocinante ou carmesim.

Resta-me o rocim.

Camões, em pompa, também comparece.
Das chamas aparece, e delas enaltece
Um sentido com base no amor.

Cego-me com seu ardor.

Subo ao encontro das estrelas ibéricas.
Ilíadas homéricas, rimas poéticas
De um mundo sem poesia.

Contorço-me em agonia.

Morto e integrado às tiânicas constelações,
Despido de opiniões, volto a Camões
E também ao trágico Cervantes.

- Vejam-me, tratantes!

Narro sobre minha busca por algum sentido
E logo sou repreendido. Advertido:
Morreste em vão, viagem perdida!

- Não com, mas sob as estrelas que se faz a vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário