Lanço aos céus indagações embriagadas,
Ardentes e indignadas, inflamadas
Por um júbilo sem razão.
Ergo-me do chão.
São questionamentos de Paraíso e Inferno,
Efêmero e eterno, um enlace terno
De incompreensões mortais.
Afasto-me dos demais.
Sem resposta do Céu, caio no silêncio de antes.
Ele, qual Cervantes, em poucos instantes
Atira-me contra a loucura.
Tira-me a bravura.
Desfaleço em inglório lamento lamurioso,
Um Queixote degostoso, mentiroso
Sem Rocinante ou carmesim.
Resta-me o rocim.
Camões, em pompa, também comparece.
Das chamas aparece, e delas enaltece
Um sentido com base no amor.
Cego-me com seu ardor.
Subo ao encontro das estrelas ibéricas.
Ilíadas homéricas, rimas poéticas
De um mundo sem poesia.
Contorço-me em agonia.
Morto e integrado às tiânicas constelações,
Despido de opiniões, volto a Camões
E também ao trágico Cervantes.
- Vejam-me, tratantes!
Narro sobre minha busca por algum sentido
E logo sou repreendido. Advertido:
Morreste em vão, viagem perdida!
- Não com, mas sob as estrelas que se faz a vida.
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