Dois bardos vagavam errantes por uma alameda escura. Não tinham origem, tampouco destino. Afim de acelerar a percepção da passagem do tempo, que parecia arrastar-se pesadamente em meio àquele ermo vestido de breu, puseram-se a cantar e recitar. Cedo ou tarde, porém, tudo acaba - e o tempo continua. Quando o estoque de poemas findou, passaram, portanto, a trocar enigmas. Eis aqui o primeiro.
Cinco homens robustos, reunidos a cantar
Aguardam zelosa mulher que trará o jantar.
Famintos e alegres, os cinco homens conversam
Mas um deles se engasga e apenas quatro restam.
O pai, Phakzan, é quem tristemente faleceu.
Bebeu um longo gole e envenenado morreu.
Homem de palavra, homem para sempre honrado;
Ninguém entendeu por que fora assassinado!
Glauco, filho mais velho, atônito levantou.
Segurou o corpo frio e do chão o retirou.
Gritou desesperado, qual animal assustado:
Morto está nosso pai, quem o terá matado?
Diope, mais jovem, chorou caído sobre a mesa.
Digeriu a cena com grande pesar e tristeza.
Correu para a cozinha, trouxe a mãe e exclamou:
Hei-de pegar o meliante que a vida lhe ceifou!
Gratelo, o caçula, nos olhos já beirava loucura.
Ergueu-se rápido da cadeira, como quem algo procura.
Não sabia o que fazer, não sabia para onde ir;
Qual tormenta é maior que ver o pai sucumbir?
Zelto, o cunhado, encarou os irmãos em lamúria
E o seguinte proferiu sobre aquela injúria:
Seu pai morreu em casa, destino friamente traçado,
Quem fez esse defunto foi um filho desgraçado!
Ana, esposa de Phakzan, há de encontrar a chave.
Seus olhos astutos enxergam como os de uma ave.
Ana, vai aos campos, junte-se à grama!
Reúna as peças soltas e desvende a trama.
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